sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Fotografia Científica





AUTOR DO ARTIGO

Carlos Eduardo Belz
Universidade Federal do Paraná
Centro de Estudos do Mar - CEM
Pontal do Paraná, Paraná, Brasil
Autor deste Blog


COMO CITAR ESTE ARTIGO
BELZ C. E. 2011. “A Fotografia Científica”. Site Fotografia Científica. Disponível em http://www.fotocientifica.com/2011/08/fotografia-cientifica.html . Acesso em xx/xx/xxxx.




          Antes de começarmos a falar de temas específicos e técnicas de fotografia científica, precisamos fazer uma introdução, conceituando este tipo de fotografia.

A fotografia científica se caracteriza pela aquisição e utilização de imagens no processo de produção científica. A ciência, como busca de entendimento da realidade, baseia seus métodos em observação e registro do que se vê ou do que pode ser medido e calculado. Nesse sentido, a fotografia surge como uma prática extremamente útil na demonstração do objeto de estudo. Seu uso é constante e em larga escala como forma de apoio às diversas esferas da pesquisa, mas a fotografia científica não se limita somente à ciência. Ela é utilizada na educação, em empresas, em operações militares, nas artes e outras.

Em termos gerais, a fotografia científica trata sobre o registro fotográfico de temas que são muito pequenos, muito distantes, muito rápidos ou muito difíceis de se ver a olho nu, registro de aspectos físicos e ecológicos de ambientes naturais e seres vivos e para registros antropológicos.  

Uma das primeiras imagens científicas foi a de um objeto que era muito distante, a lua, registrada pelo químico americano John Draper W. em 1840
  
Daguerreótipo da Lua - John Draper W. 1840

Tipos de Fotografia Científica

Fotomacrografia – Ela envolve o uso de lentes macro para fotografar objetos diminutos, ou ampliar detalhes de difícil observação a olho nu. Este tipo de fotografia exige lentes específicas e grande habilidade do fotógrafo para manipular a profundidade de campo e corrigir aberrações.

  


Fotomicrografia – Semelhante à fotomacrografia, este tipo de fotografia captura imagens de objetos diminutos com ampliação, porém não utiliza lentes. Em vez disso, o corpo da câmera é conectado a um microscópio.

  


Fotografia Infravermelha – O espaço é repleto de radiação eletromagnética. Os olhos humanos podem ver uma pequena parte desta radiação como cores (do vermelho ao violeta). Além da cor vermelha, um conjunto de radiações que têm ondas eletromagnéticas longas é chamado de infravermelho. Os seres humanos não podem ver o infravermelho, mas podem detectar um pouco dele por causa do calor que produz. A obtenção de imagens deste calor refletido pelos objetos é chamada de fotografia infravermelha.


Imagem de luz visível (esquerda) e infravermelho (direita) da constelação de Orion

Termografia – É semelhante à fotografia infravermelha, mas tem um escopo mais amplo. A termografia registra imagens de objetos em todas as temperaturas e ao invés de gravar imagens de calor refletido, registra o calor emitido pelos objetos.

  


Fotografia Ultravioleta – Assim como há ondas eletromagnéticas longas, que os olhos não podem ver, existem também as ondas eletromagnéticas muito curtas (300-400nm), como as da radiação ultravioleta e raios-x, que os olhos também não podem ver sem ajuda. Para registrar este tipo de imagem são necessárias lentes de quartzo e filtros negros.

Sol visualizado com ultravioleta


Fotografia de Fluorescência – É, inicialmente, semelhante à fotografia ultravioleta porque usa iluminação ultravioleta. No entanto, a imagem gravada não é a da radiação UV, mas a imagem visível produzida quando os objetos são iluminados com a radiação UV. É por isso que a fotografia de fluorescência é normalmente realizada no escuro, para que outras radiações de luz visível não interfiram com a imagem final.



Fotografia de Alta Velocidade – Ela é usada para obtenção de imagens de eventos que ocorrem rápido demais para serem capturados por uma câmera normal. Os equipamentos utilizados normalmente são um intervalômetro, que controla o intervalo entre os disparos, espelho giratório e uma fonte de laser pulsado.

  


Fotografia Schlieren - É o nome da técnica de visualização de escoamentos complexos (subsônicos, sônicos e supersônicos) utilizada em túneis de vento e tamques de fluidos (água, ar) especialmente desenhados. Isto produz imagens do fluxo de fluidos quando há uma perturbação ou ondas de choque. Alguns dos equipamentos utilizados são câmeras de varredura, gravadores de vídeo e lentes duplas para obtenção de imagens 3D.

  


Fotografia Morfométrica – Morfometria é o estudo das formas e dimensões de objetos, estruturas, ambientes e seres vivos. A fotografia é utilizada como forma de registro e comparação de dados morfométricos. É utilizada, por exemplo, na biologia, para identificação e catalogação de espécies e na geologia e oceanografia para caracterização de ambientes naturais.


Fotografia Documental – Este tipo de fotografia científica não se baseia em uma técnica específica e sim na utilização de imagens reais como registro factual e histórico de aspectos relacionados ao ser humano. Este tipo de fotografia é bastante utilizada e discutida em estudos antropológicos (antropologia visual).  








Fotografia Observatória - Este tipo de fotografia é utilizada para registrar aspectos ecológicos e comportamentais de seres vivos no ambiente natural, com a mínima interferência do fotógrafo. São exemplos desta abordagem a fotografia de aves, a fotografia de cetáceos, a utilização de armadilhas fotográficas para capturar imagens de animais de difícil visualização e outras.



Fotografia Subaquática – Este tipo de fotografia científica é semelhante à fotografia observatória, mas utiliza equipamentos que permitem que a imagem seja registrada dentro da água. É utilizada na ciência, por exemplo, para identificação de espécies marinhas, senso visual de peixes, estudos de colonização e várias outras aplicações. Hoje já existem caixas estanque para várias câmeras digitais.